
A Oktoberfest começou. Houve um belo desfile, um evento inédito – a guerra do chope – e algo que mexeu com as pessoas lá presentes, o assassinato de um jovem, Denis Azevedo, o qual foi friamente apunhalado pelas costas enquanto se divertia na guerra da cerveja. Muitos que presenciaram o ocorrido foram convidados a prestarem depoimento, mas a única pessoa que realmente pôde contribuir para esclarecer aquele triste episódio foi uma amiga do rapaz, Helen. Ela relatou sobre o estranho homem que se aproximou com uma conversa sem sentido de homens que iriam para o inferno, a filha que havia morrido, o punhal sujo de sangue e então, logo depois desse encontro, ela viu seu amigo assassinado. Helen descreveu as características que conseguiu recordar do estranho e pediu que a segurança fosse reforçada nos próximos dias de festa, ou mais pessoas, principalmente seus amigos Rodrigo e Carlos, poderiam morrer: Ele disse que me livrou de um, mas ainda faltavam dois. Ele é perigoso, ele ta louco!
O velório de Denis passou... deixando Gisa com um vazio, uma tristeza imensa, a qual só o tempo iria amenizar. Apesar dos pesares, a festa continuou. E em um ritmo bem animado, porém era possível perceber que a circulação policial aumentou. Ao que tudo indicava, as pessoas poderiam festejar sem medo de que mais tragédias acontecessem. Era o que faziam Paulão e Jorginho, este era corpulento e barbudo, e aquele era esguio e calvo. Ambos eram amigos, amigões, daqueles de verdade, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, enfim, compartilham praticamente tudo, só não compartilhavam as mulheres, porque eles não as tinham. Dois homens sem família, que moravam juntos e trabalhavam juntos em uma serralheria. O único prazer que eles tinham era o de jogar um bom baralho e beber uma boa cerveja nos bares e botecos mais frequentados. Mesmo com tantos aspetos apontando para uma possível mudança de preferência sexual, eles eram machos! Só não tinham mulher por que a beleza não encontrou o endereço deles.
O velório de Denis passou... deixando Gisa com um vazio, uma tristeza imensa, a qual só o tempo iria amenizar. Apesar dos pesares, a festa continuou. E em um ritmo bem animado, porém era possível perceber que a circulação policial aumentou. Ao que tudo indicava, as pessoas poderiam festejar sem medo de que mais tragédias acontecessem. Era o que faziam Paulão e Jorginho, este era corpulento e barbudo, e aquele era esguio e calvo. Ambos eram amigos, amigões, daqueles de verdade, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, enfim, compartilham praticamente tudo, só não compartilhavam as mulheres, porque eles não as tinham. Dois homens sem família, que moravam juntos e trabalhavam juntos em uma serralheria. O único prazer que eles tinham era o de jogar um bom baralho e beber uma boa cerveja nos bares e botecos mais frequentados. Mesmo com tantos aspetos apontando para uma possível mudança de preferência sexual, eles eram machos! Só não tinham mulher por que a beleza não encontrou o endereço deles.
Paulão e Jorginho deram um jeito no visual e seguiram em direção aos pavilhões, muito bem decorados e entupidos de gente. Estavam com pensamento positivo para aquele dia, tinham treinado algumas cantadas dos anos 90 que, somadas à disputa de chope em metro, dariam certo com certeza. Antes de chegar à Vila Germânica, os amigos vieram de ônibus, já que o carro velho, ano 95, que Paulão tinha, não conseguia andar mais do que seis quilômetros. Porém, nada era capaz de deixar esses dois amigos desanimados.
Lata de sardinha? Lotação? Pior, muito pior, um formigueiro de gente, e algumas pessoas perdem a noção de higiene, mas mesmo assim era divertido. Assim são os dias de festa em Blumenau e isso deixa os dois amigos muito contentes, porque, como são solteirões, gostam de tirar uma lasquinha das moçoilas, e nem se importam de levar alguns tapas de vez em quando.
Logo que entraram em um dos pavilhões, Jorginho ouviu, por alto, que um casal falava sobre o assassinato do rapaz do desfile, Denis, mas a mulher complementou que ao que circula por aí, mais dois homens foram encontrados mortos no banheiro de um bar no centro da cidade. Ela ainda terminou: Você tem que tomar cuidado amor...
Assim que Paulão arranjou dois copos de chope para a entrada do dia, a música típica já fluía bem, era alegria pra todo lado.
— É hoje que a gente vai se dar bem! — disse Paulão, dando um grande gole na cerveja.
— Isso mesmo, meu amigo! — apoiou Jorginho, observando o pessoal. — Hoje nada vai me impedir. Nem dentadura, nem banguela, nem bigode, nem unha encravada, nem nada! Não aguento mais essa seca...
— Cuidado com o que tu fala, home. Se não, invés de galinha, vai acabar encontrado um peru! — Entre uma gargalhada e um gole de chope, Paulão e Jorginho foram se soltando cada vez mais, distribuíam sorrisos e galanteios a torto e a direito, porém nada sortia efeito.
— Isso mesmo, meu amigo! — apoiou Jorginho, observando o pessoal. — Hoje nada vai me impedir. Nem dentadura, nem banguela, nem bigode, nem unha encravada, nem nada! Não aguento mais essa seca...
— Cuidado com o que tu fala, home. Se não, invés de galinha, vai acabar encontrado um peru! — Entre uma gargalhada e um gole de chope, Paulão e Jorginho foram se soltando cada vez mais, distribuíam sorrisos e galanteios a torto e a direito, porém nada sortia efeito.
À medida que as horas se avançavam, a noite tomava conta, a visão perdia a nitidez, o cérebro ia para um lado e as pernas para o outro, a festa fervia ainda mais. Não tardou para que um Fritz animado anunciasse, de cima de um palco de shows, a competição do chope em metro!
Os participantes, devidamente trajados, já se posicionavam no centro do palco com as tulipas em mãos e alguma preferência da torcida já se manifestava. A disputa parecia incerta até que um dos competidores começou a babar mais do que tomar, então o primeiro campeão foi conhecido.
— Paulão, irmão, esses cara não são de nada! — desdenhou Jorginho, bebendo em seguida. — Tu inscre... tu inscrev... tu marcô o nome da gente lá?
— Ih! Num me alembrei, porcaria! — lamentou-se Paulão. — Agora num dá mais tempo...
No mesmo instante que a próxima dupla se posicionou para dar continuidade à competição, um homem se aproximou dos amigos. Pele morena, olhos negros, cabelos desgrenhados, e roupas desgastadas.
— Fala seus chopeiros! — abraçando Paulão e Jorginho como se os conhecesse, ele continuou: — Meu nome é Joel. Então vocês querem participar do chope em metro?
— Opa! Era tudo que nóis queria! Esses home aí são fraquinho, moleques! — respondeu Jorginho.
— Tu consegue arranjá um lugar pra gente lá, feioso? — disse Paulão sorrindo.
— Ih! Num me alembrei, porcaria! — lamentou-se Paulão. — Agora num dá mais tempo...
No mesmo instante que a próxima dupla se posicionou para dar continuidade à competição, um homem se aproximou dos amigos. Pele morena, olhos negros, cabelos desgrenhados, e roupas desgastadas.
— Fala seus chopeiros! — abraçando Paulão e Jorginho como se os conhecesse, ele continuou: — Meu nome é Joel. Então vocês querem participar do chope em metro?
— Opa! Era tudo que nóis queria! Esses home aí são fraquinho, moleques! — respondeu Jorginho.
— Tu consegue arranjá um lugar pra gente lá, feioso? — disse Paulão sorrindo.
Joel deu uma tapa em Paulão e o fez derramar o chope. Os nervos esquentaram, mas Jorginho interpôs-se:
— Calma Paulão, pega o meu copo...
— É isso mesmo, desculpa aí — disse Joel. — Pra mostrar que não foi a minha intenção, eu não posso fazer nada pra colocar vocês na competição, mas posso dar uma carona pra casa, ou vão querer ir de lotação?
— É isso mesmo, desculpa aí — disse Joel. — Pra mostrar que não foi a minha intenção, eu não posso fazer nada pra colocar vocês na competição, mas posso dar uma carona pra casa, ou vão querer ir de lotação?
A oferta agradou os amigos e Paulão logo esqueceu o pequeno problema. Joel juntou-se aos dois e aproveitaram a Oktoberfest como se deve, bebendo, rindo, bebendo e caçando...
As 23 horas chegaram tão rapidamente que Joel ficou preocupado, ele estava estranho, impaciente, e quando viu Jorginho se engraçando para uma jovem menina, cerrou os punhos e afastou-se. Paulão dançava como uma cobra enlouquecida enquanto bebia e sua bexiga não demorou a protestar. Ele foi obrigado a procurar um banheiro o quanto antes. Pra esquerda, para direita, seguiu à fila mais próxima, mas estava apertado demais e resolveu encarar a multidão até sair do local. Joel o acompanhava de perto e, um pouco atrás, Jorginho também saía do pavilhão.
Um dos grandes problemas de um evento como a Oktoberfest é que a noção de higiene se perde para muitas pessoas, principalmente os homens que, na falta de banheiro ou mesmo paciência, fazem suas necessidades em qualquer lugar, em qualquer parede... Foi o que Paulão e Jorginho fizeram, procuraram a parede mais próxima, no lado de fora, um pouco afastada do pavilhão, e começaram a aliviar a pressão. Enquanto os amigos riam e contavam suas tentativas de arranjar uma companheira para o final da noite, Joel, enojado, observava de longe. Com uma expressão diabólica, ele levantou a camiseta, certificando-se de que algo estava lá, e se aproximou devagar.
— Os dois bebuns estão se divertindo? — Joel encostou-se na parede e sua voz mudou para um sinistro grave.
— Opa! Só falta uma gatinha pra brincar... — respondeu Jorginho aos sorrisos. Aquilo parecia incomodar Joel.
— Vocês não têm vergonha de viver essa vida bebendo como dois vagabundos? Mijando nas paredes... Me diz, pra quê viver?
— Beber é a melhó coisa do mundo! — exaltou Paulão — Para de falar besteira, seu E.T! — Os dois amigos riram e Jorginho deixou as calças escaparem.
— Opa! Só falta uma gatinha pra brincar... — respondeu Jorginho aos sorrisos. Aquilo parecia incomodar Joel.
— Vocês não têm vergonha de viver essa vida bebendo como dois vagabundos? Mijando nas paredes... Me diz, pra quê viver?
— Beber é a melhó coisa do mundo! — exaltou Paulão — Para de falar besteira, seu E.T! — Os dois amigos riram e Jorginho deixou as calças escaparem.
Joel deu a volta nos dois amigos e, levantando sua camiseta, retirou um objeto puntiforme, com lâminas prateadas que possuía um punho detalhado em bronze, e parecia determinado a cometer uma loucura. Com o punhal na mão, escondido às costas, e uma expressão inerte no rosto, Joel esperou os dois terminarem de urinar e disse:
— Eu fico pensando que dois caras como vocês, solteiros, bebendo demais, devem se aproveitar de meninas inocentes como aquela que você — apontou para Jorginho — estava assediando. Mas isso vai acabar, hoje vocês vão pro inferno...
— Olha só pra isso, irmão! — gargalhou Paulão. — O cara tem uma faca na mão... tu quer mata nóis é? Mas assim? Sem um último pedido?
— É E.T, antes da gente... for pro inferno, um chopinho ia bem! — completou Jorginho, os dois estavam levando a situação na brincadeira, parece que a embriaguez tornava aquilo um sonho, uma visão, algo surreal, haviam ultrapassado os limites da realidade...
— Olha só pra isso, irmão! — gargalhou Paulão. — O cara tem uma faca na mão... tu quer mata nóis é? Mas assim? Sem um último pedido?
— É E.T, antes da gente... for pro inferno, um chopinho ia bem! — completou Jorginho, os dois estavam levando a situação na brincadeira, parece que a embriaguez tornava aquilo um sonho, uma visão, algo surreal, haviam ultrapassado os limites da realidade...
Joel não estava brincando, tampouco fora de si ou bêbado, ele tinha uma meta, o crime. Ele já fez isso algumas vezes, começando com Denis, o jovem do desfile. O que esse homem pretende com essa atitude, esses assassinatos? Por que está matando tantas pessoas, homens principalmente? Será por prazer, vingança, protesto, interesse? São respostas que Helen, a amiga de Denis, os policiais que rondavam pelo perímetro do evento e dezenas de pessoas preocupadas com as recentes mortes na Oktoberfest precisavam.
O nome do assassino foi revelado. Ele apresentou-se como Joel e sua aparência não mudou, nem sua sede de sangue, de apunhalar homens escolhidos por aspectos pessoais, os quais ainda não se tinha conhecimento. Paulão e Jorginho olhavam para Joel e gargalhavam exageradamente, achando graça em alguma coisa, uma coisa que só eles sabiam, pois o punhal estava em posição, pronto para rasgar os dois amigos.
— Espero que tenham aproveitado a festa de hoje. É a última. Vocês não verão o sol amanhã.
— Parece filme de terror! Aí que medo Paulão! — divertia-se Jorginho se aproximando de Joel — Quem é você? Freda Cruga?
— Parece filme de terror! Aí que medo Paulão! — divertia-se Jorginho se aproximando de Joel — Quem é você? Freda Cruga?
Foram as últimas palavras de Jorginho, o punhal do assassino penetrou sua barriga tão rápido que o grito de dor foi abafado, e o corpanzil desabou, produzindo um baque alto. Paulão interrompeu o riso e, ao ver o seu irmão de coração caído, sangrando muito, liberou gritos chorosos:
— Não! Jorge! Jorge! Maldito! — Com dificuldade, Paulão saltou para cima de Joel. A luta não demorou muito, a embriaguez foi sua pior inimiga. Depois de alguns segundos de troca de força com o punhal sobre o pescoço de Paulão, ele viu o céu estrelado sumir instantaneamente e ouviu um grito estridente...
Paulão também foi assassinado, ao lado de seu amigo Jorginho. Ambos tirados desse mundo por uma alma negra, fria e diabólica. Descansem em paz...
Uma mulher viu a última apunhalada de Joel e havia gritado com todas as forças, horrorizada. A atitude atraiu muitas pessoas que correram para o local, onde os corpos jaziam imóveis. Joel correu, correu muito, e sumiu no breu de uma mata próxima.
Até quando isso vai durar? Será que a Oktoberfest vai continuar? Tudo é incerto. Teremos que esperar pelo amanhecer...
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