segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Perdão!


Chora... assim, cada segundo, por horas...
Chora... assim, por estas terras, sem parar...

Um lamento contido, intenso demais, milenar;
lágrimas fundidas, de raiva e de dor;
O que te faz tão triste imensidão?

Céu... que já foi suave, azul e inebriante;
agora é alvo, nebuloso e vingador.

Mãe... mãe natureza, sábia e forte;
castiga teus filhos por levá-la à morte;
punição justa, merecida, demorada.

Perdão!
Pelas florestas cortadas;
Pelos rios poluídos;
Pelas explorações;
Pela negligência, maldade,
destruição...
Pelos ferimentos em teu coração.

Tarde demais? Talvez.
Impossível voltar atrás? Não, há tempo;
Arrependa-se, reinvente-se.

Essencial equilíbrio.

Guigo Ribeiro

sábado, 26 de setembro de 2009

Compartilhando...


Olá!

Estou começando efetivamente o meu primeiro contato com "Blog" e minha primeira experiência nesta relação escritor-leitor virtual. Espero que estabeleçamos uma boa troca.

Sabe... Sempre escrevi, escrevo muito, mas sempre com certo receio de ser lido. Coisa que já está superada, afinal o mundo está aí, se não fazemos parte dele, não criarmos nosso espaço, ele nos engole, deleta. Então, a partir de agora, estou aí, começando a minha vida literalmente, e aguardem... ano que vem eu sei que será um ano de muita alegria! Vou correr atrás!

Grato pelo acesso e saudações.

Guigo Ribeiro

CONTO - O PIOR DIA



Um dia chuvoso e frio, como sempre são os dias de outono no sul. E lá se foi mais um despertador, espatifado no chão por causa da minha intolerância a esse som inquietante pela manhã. Parece impossível me acostumar, acho que, em cinco anos, já devo ter batido o recorde do homem que mais quebrou relógios no mundo; são mais de quarenta. Não costumo contar, mas minha esposa não me deixa em paz, fazendo questão de, ao comprar um novo, dizer:

- Meus parabéns! Esse é o quadrigésimo primeiro.

Eu me levantei com certa dor nas têmporas, abusei na festa de despedida do Álvaro, ele estava indo morar em Londres, pois conseguiu um ótimo trabalho por lá. Como eu queria ter a sorte dele, e a conta bancária também!

Depois que lavei o rosto fui direto à cozinha, meu café da manhã costumava sempre estar posto, mas naquele dia não. Eu estava estressado com a minha mulher, nosso casamento não andava muito bem e qualquer detalhe se transformava em motivo para uma briga. Acreditem ou não, pensei em me divorciar por causa de um café da manhã. Tudo ia mal, as despesas e as dívidas aumentavam, a empresa tinha dificuldades com mercadorias de exportação e o momento de eu ser despedido se aproximava. Enquanto lastimava meus problemas, o telefone tocou. A pessoa não se identificou, apenas disse:

- Dia senhor Rodrigo, arruma aí a grana da poupança porque a gente ta com a tua mulher...

Depois disso não consegui discernir palavra alguma, o coração disparou, os joelhos dobraram e, segundos depois, o som da ligação interrompida trouxe o desespero:

- Espera! Espera!

Tarde demais, o estranho desligou. Eu não sabia o quanto de dinheiro ele queria, o local que deveria ir e, acima de tudo, não sabia se meu amor estava bem. Foi o pior dia da minha vida. Senti como se tivessem me arrancado o coração do peito e, por minutos, permaneci ali, no chão, impotente, pensando nas coisas mais absurdas. Quando despertei daquele surto, procurei alguma forma de poder agir; pensei em ligar para a polícia, mas seria muito perigoso, e a paranóia começou a voltar, pois a única coisa que ouvi, em juízo, foi para arrumar o dinheiro, mas quanto? E como faríamos a troca? Automaticamente, peguei a chave do carro, um casaco e corri em direção à porta. No momento em que a abri, ali, diante de mim, segurando um guarda-chuva e algumas sacolas, estava ela, Ana, minha esposa:

- Amor? Eu fui arrumar seu café, mas não tinha pão. Resolvi sair para comprar, sei que você gosta de...

Foi o abraço mais forte, o beijo mais intenso, a melhor sensação do mundo e o banho de chuva mais demorado. Naquele instante eu sabia que tinha nos braços a minha vida de volta. Nunca mais pensaria em divórcio, ou em problemas financeiros, eles ficam insignificantes diante da suspeita da perda de um amor.
Não sei se foi um trote ou uma tentativa de extorsão, só sei que não quero passar por isso de novo.

O pãozinho? Ficou lá numa poça.

Guigo Ribeiro

Meu sonho



Meu sonho é como um relógio.
Vai, segundo a segundo se realizando;
E se ele parar é porque estou falhando.

Guigo Ribeiro

O que é o amor, oh minha flor?



Amor não é paixão;
Amor não é tesão;
Amor não é compaixão,
nem sonho, nem coração.

Amor não é sentimento;
Amor não é conhecimento;
Amor não é amadurecimento,
Nem alento, nem paz, nem sofrimento.

Amor não é loucura;
Amor não é doçura;
Amor não é procura;
Nem sorriso, nem presença, nem clausura.

Amor não é carinho;
Amor não é beijinho;
Amor não é nenhum inho...

O que é o amor, oh minha flor?

Ninguém sabe! Nem o próprio criador...

Guigo Ribeiro

Desvairado



O que tu vês não é o que tu sentes.
O que tu sentes não é o que tu desejas.
O que tu desejas não é o que tu queres.
O que queres não é o que precisas,
e o que precisas não é a realidade.

A tua realidade não é a tua vida,
e a tua vida, a tua vida,
não, não é vivida.
Chega! Ache uma saída...

Guigo Ribeiro

Peripécia de um menino



Cresço e não apareço,
Falo e não abalo,
Grito e não sou ouvido,
Sou o que sou, e sempre
Mal entendido.

Mas o que posso fazer pra
Não passar despercebido?
Tento agir, sorrir e divertir,
Tento cantar, me soltar e agradar,
Mas só o que consigo é fugir.

Fugir do momento,
Do pensamento,
Do reconhecimento,
Pra não me tornar divertimento.

Eu desejo um amor,
Que não consigo encantar,
Desejo uma flor,
Que não consigo apanhar,
Mas só o que eu preciso,
É não ter medo de errar...

É só uma fase e vai passar,
Vou viver a vida como eu sempre quis,
E serei muito, serei muito FELIZ!


Guigo Ribeiro