sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Desejo

 

Cajado nas mãos, na face um sorriso, 
Em veste usada, velha e suja, 
Zelando para que nenhuma fuja, 
Guiar estas felpudas eu preciso. 

Para casa e para o pasto as levo, 
Porque esse é meu trabalho no mundo, 
Adoro minhas amigas, não nego, 
Mas tenho sonhos, desejos profundos. 

Eu desejo a todos encantar, 
Que minhas palavras os emocionem, 
E que se espalhem pelo ar, 

Quero livrá-los das dores que os consomem, 
Para que sintam o amor nas cantigas, 
Que canto às minhas melhores amigas.

Alguém



Da inconsequência nasci,
No abandono me criei,
Muita gente conheci,
E todos fora da lei,

Em dificuldades da vida
Estive mergulhado,
Recolhendo coisas esquecidas,
Sem ninguém ao meu lado.

Meus olhos estão sem foco,
Meus braços quase sem energia,
Mas sobrevivo com o pouco,
Que teu lixo me sentencia.

Andei e ando a sonhar,
Em onde está o meu lugar,
E da face a esperança não retiro,
Pois ainda estou aqui, vivo.