
A notícia do assassinato de Paulo Alberto Novaes e Jorge Toss, nas imediações dos pavilhões da Vila Germânica, tornou-se alarmante para os blumenauenses, pois a segurança já havia sido reforçada para que não fosse preciso interromper os dias festivos da Oktoberfest. O maior jornal de circulação na cidade noticiava que dezenas de homens foram e estavam sendo assassinados, a sangue frio, de maneira medieval, com um punhal, e que, mesmo com todas as medidas de segurança – viaturas, circulação policial, fardados ou disfarçados –, não conseguiram prender o culpado por tanto sofrimento. Foi destacado, ainda, o quanto aquela situação rumava ao desespero, à união de civis para procurar o desconhecido assassino, e, ao fim antecipado da festa que já era tratada como a Okterror. E assim eu lhe revelo o título desta narrativa, pois é sobre o que estou falando, sobre uma festa marcada por assassinatos misteriosos cometidos por um homem, a princípio sem motivo algum para matar, mas que o fez com medieval crueldade.
Mesmo como todos os assassinatos que ocorreram, todos os problemas como a população pressionando as autoridades, a imprensa, e duas das maiores emissoras do país frequentando a cidade por causa da repercussão do Homem do Punhal, o grande show de uma banda regional, que não cabe citar o nome, pois particularmente eu odeio, iria acontecer de qualquer maneira.
Desde que os dois amigos foram encontrados mortos, Joel não dera as caras em nenhum lugar de Blumenau. Ninguém o encontrava, era incrível a capacidade dele de se esconder daqueles que o estavam caçando. Com três dias de paz e calmaria, sempre com um pouco de receio e cautela, os blumenauenses precisavam do grande show, da animação. A segurança triplicou, não se sabia se toda a circulação policial era só dos servidores de Blumenau ou se outras cidades se envolveram no caso. A questão era que o show iria acontecer. E eu teria o terceiro capítulo desta história!
Tudo estava preparado. A banda chegou no final da tarde, sem o menor problema de tocar em uma cidade com um assassino à solta, estavam até animados, e o palco estava montado. Porém, em um lugar público: na frente do Teatro Carlos Gomes. Impressionante, acho que a confiança foi um pouco demais, eles não sabiam quais eram as intenções de Joel, pois a segurança parecia indubitavelmente forte, mas ninguém, nem mesmo Helen, Rodrigo e Carlos, retornando ao posto de personagens principais, sabiam o que estava para acontecer…
Ao cair da noite, Helen e seus dois amigos, aparentemente conformados e recuperados da perda de Denis, estavam a caminho do show de sua banda favorita, nem se importavam com nada, queriam e precisavam se divertir. A garota aceitou o convite de ir para a apresentação dos músicos, no entanto, tinha outro interesse também, o de se encontrar novamente com o estranho do desfile, Joel. Uma jovem esperta, astuciosa. Eu a conhecia, e ainda a conheço... Uma pedra no meu sapato, pois ela pressentia, ou tinha certeza, de que o tão procurado assassino iria procurá-la outra vez. Ela estava preparada e determinada a entregá-lo para a polícia. Eu não queria que minha história terminasse tão rápido…
O show começou com os arredores e as ruas lotadas de gente, um amassa daqui e outro de lá, quase não consegui acompanhar os passos da minha heroína. Assim que Helen e os amigos começaram a aproveitar as músicas, ou melhor, o barulho do show, Joel já aparecera e estava inacreditavelmente mudado. Seus cabelos foram raspados, barba por fazer, e as roupas estavam mais apresentáveis – podia jurar que a camiseta esporte azul e preta que ele usava era minha. Finalmente a ação começaria.
Era perceptível a movimentação policial no evento, porém Joel não detinha atenção alguma. Era invisível para as pessoas a sua volta e principalmente para Helen, a qual dançava de modo peculiar junto de Carlos e Rodrigo. Joel se aproximou dos três naturalmente e, no meio da agitação, apalpou algo em suas costas.
- Anda, Helen! Mexe mais essa cintura aí! – pediu Carlos, aos sorrisos.
- Não força, eu não sou muito boa nisso, só gosto do som da banda! – disse Helen. De minuto a minuto ela observava em volta, chegou a cruzar com o olhar de Joel, mas não o reconheceu. Cansada, Helen deixou os amigos, pedindo para eles se cuidarem e costurou a multidão até encontrar um lugar com algum espaço para respirar e ali ficou. Joel sumiu. O procurei por todo lado e nada.
Alguns minutos se passaram e houve uma movimentação demasiada de alguns policiais, um grito abafado ao longe, e quando fui me interar do que havia acontecido, esperando um assassinato, era apenas uma briga entre jovens por causa de uma garota. Onde Joel estava? O que fazia? Voltei para perto de Helen e ela ainda se encontrava sentada, observando os amigos de longe.
- Ele deve ter ido embora daqui, afinal toda a polícia está atrás dele... – disse Helen a si mesma.
- Você está errada. – A menina enrijeceu. Aquela voz grave, só podia ser dele. Quando se virou para encarar Joel, assustou-se com a aparência diferente do homem.
- Meu Deus! O que você fez... – lembrou-se de Denis em um fleche. – Assassino! Soco...
Joel tapou a boca de Helen com agressividade, a levou para um canto, atraindo alguns olhares e disse:
- Quieta! Eu não quero te machucar. Se você me encrencar, antes de ir vou ter que, infelizmente, enterrar essa lâmina na suas costas. Vai ficar quieta? Só quero conversar... – Helen concordou, estava tremendo.
- O que você quer comigo, por que você está matando tantas pessoas, tantos homens?
- Senta aqui e se acalma, depois responderei. – Um homem, que estranhou a situação, perguntou se estava tudo bem com Helen e ela assentiu.
Joel estava diferente. Não era só a aparência, perto da jovem sua expressão não era tão ruim.
- Eu tenho minhas razões, menina. – iniciou Joel. – Esses malditos tiraram um tesouro de mim, me roubaram! Agora vão ter o mesmo destino...
- Tiraram o quê? Foi uma pessoa da sua família? Ah! A sua filha?
- Sim... a minha vida! – Pela primeira vez ele parecia sentir alguma emoção. – Você me lembra muito ela, eu já lhe disse. – Joel tocou com as costas da mão o rosto de Helen e a acariciou como um pai a uma filha. Ela estranhou a atitude, mas não teve reação alguma, apenas disse:
- E você acha que matando essa gente vai trazer ela de volta?
- Eu sei que não vai trazer ela de volta, mas eu tenho um propósito agora e é vingar a morte dela...
- Meu Deus... – Helen não sabia o que dizer, tudo que falasse para Joel seria inútil, ele entrou em um caminho sem volta, estava com uma fúria nos olhos. – E como sua filha morreu?
- Foi morta! Mas não quero falar sobre isso... Já decidi, a minha dor acaba hoje. – Aquilo surpreendeu Helen, o que ele estava planejando?
- Por que você não foi atrás do assassino então? – quis saber a garota.
- O culpado não estava lá! Ela foi encontrada sozinha, abusada e mutilada... O maldito fugiu. – Os olhos marejados e cheios de ódio estavam percorrendo cada semblante masculino nos arredores do show. – E depois que perdi a vontade de viver, alguém, um amigo, me deu o maior dos propósitos, vingar a minha menina. Não vou descansar até matar o desgraçado!
- Mas você nem sabe quem ele é. Está me dizendo que você mata esses homens na esperança de que um será o assassino de sua filha?
Joel concordou, levantou-se e terminou:
- Saia daqui, menina! E se preza tanto seus amigos, leve-os também. Hoje vai ser o fim! – Um sorriso diabólico surgiu no rosto de Joel. – Espero que depois dessa noite a minha missão esteja cumprida... o inferno espera o maldito que te levou de mim, Duda! – Helen sentia o pior de todos os medos, não conseguia se mexer. – Depois dessa noite vou caminhar por esse mundo até a morte me levar...
Joel saiu. Deixou Helen boquiaberta e com o coração batendo acelerado. Segundos depois, ela recuperou o movimento dos membros e disparou em direção aos amigos.
- Vamos embora! Agora!
Cinco minutos se passaram. Estávamos eu, Helen, Carlos e Rodrigo no mesmo ônibus, e a minha conhecida e assustada sobrinha, – Sim. Helen era e é minha querida sobrinha. – não conseguia responder aos questionamentos dos amigos... Até o acontecimento fatal.
BUMM!
Eu não tinha ideia do que Joel era capaz, nunca poderia imaginar que ele chegaria a um ato desses, entretanto, apesar de trágico, foi um acontecimento histórico!
Cheguei a pensar que Joel teria se matado, mas ele ainda escreveria mais um capítulo nessa Okterror, e um capítulo incrível...






