terça-feira, 27 de outubro de 2009

Capítulo III - A Okterror


A notícia do assassinato de Paulo Alberto Novaes e Jorge Toss, nas imediações dos pavilhões da Vila Germânica, tornou-se alarmante para os blumenauenses, pois a segurança já havia sido reforçada para que não fosse preciso interromper os dias festivos da Oktoberfest. O maior jornal de circulação na cidade noticiava que dezenas de homens foram e estavam sendo assassinados, a sangue frio, de maneira medieval, com um punhal, e que, mesmo com todas as medidas de segurança – viaturas, circulação policial, fardados ou disfarçados –, não conseguiram prender o culpado por tanto sofrimento. Foi destacado, ainda, o quanto aquela situação rumava ao desespero, à união de civis para procurar o desconhecido assassino, e, ao fim antecipado da festa que já era tratada como a Okterror. E assim eu lhe revelo o título desta narrativa, pois é sobre o que estou falando, sobre uma festa marcada por assassinatos misteriosos cometidos por um homem, a princípio sem motivo algum para matar, mas que o fez com medieval crueldade.

A Okterror, é como foi nomeada a festa daquele ano de 2011, e eu aqui estou, no ano de 2014, na euforia da copa mundial que será sediada no Brasil, em uma praça, com uma caneta e um caderno pequeno, lhe escrevendo passagens, presenciadas por mim, desse acontecimento que ficou conhecido nacionalmente. O motivo que me levou a ver, a ouvir e a não revelar à polícia quem era o criminoso, por enquanto, é dispensável, mas eu contarei assim que for preciso.

Dia 17 de outubro de 2011 foi um dia inesquecível, principalmente para um escritor como eu, um prato cheio para render uma grande história.

Mesmo como todos os assassinatos que ocorreram, todos os problemas como a população pressionando as autoridades, a imprensa, e duas das maiores emissoras do país frequentando a cidade por causa da repercussão do Homem do Punhal, o grande show de uma banda regional, que não cabe citar o nome, pois particularmente eu odeio, iria acontecer de qualquer maneira.

Desde que os dois amigos foram encontrados mortos, Joel não dera as caras em nenhum lugar de Blumenau. Ninguém o encontrava, era incrível a capacidade dele de se esconder daqueles que o estavam caçando. Com três dias de paz e calmaria, sempre com um pouco de receio e cautela, os blumenauenses precisavam do grande show, da animação. A segurança triplicou, não se sabia se toda a circulação policial era só dos servidores de Blumenau ou se outras cidades se envolveram no caso. A questão era que o show iria acontecer. E eu teria o terceiro capítulo desta história!

Tudo estava preparado. A banda chegou no final da tarde, sem o menor problema de tocar em uma cidade com um assassino à solta, estavam até animados, e o palco estava montado. Porém, em um lugar público: na frente do Teatro Carlos Gomes. Impressionante, acho que a confiança foi um pouco demais, eles não sabiam quais eram as intenções de Joel, pois a segurança parecia indubitavelmente forte, mas ninguém, nem mesmo Helen, Rodrigo e Carlos, retornando ao posto de personagens principais, sabiam o que estava para acontecer…

Ao cair da noite, Helen e seus dois amigos, aparentemente conformados e recuperados da perda de Denis, estavam a caminho do show de sua banda favorita, nem se importavam com nada, queriam e precisavam se divertir. A garota aceitou o convite de ir para a apresentação dos músicos, no entanto, tinha outro interesse também, o de se encontrar novamente com o estranho do desfile, Joel. Uma jovem esperta, astuciosa. Eu a conhecia, e ainda a conheço... Uma pedra no meu sapato, pois ela pressentia, ou tinha certeza, de que o tão procurado assassino iria procurá-la outra vez. Ela estava preparada e determinada a entregá-lo para a polícia. Eu não queria que minha história terminasse tão rápido…

O show começou com os arredores e as ruas lotadas de gente, um amassa daqui e outro de lá, quase não consegui acompanhar os passos da minha heroína. Assim que Helen e os amigos começaram a aproveitar as músicas, ou melhor, o barulho do show, Joel já aparecera e estava inacreditavelmente mudado. Seus cabelos foram raspados, barba por fazer, e as roupas estavam mais apresentáveis – podia jurar que a camiseta esporte azul e preta que ele usava era minha. Finalmente a ação começaria.

Era perceptível a movimentação policial no evento, porém Joel não detinha atenção alguma. Era invisível para as pessoas a sua volta e principalmente para Helen, a qual dançava de modo peculiar junto de Carlos e Rodrigo. Joel se aproximou dos três naturalmente e, no meio da agitação, apalpou algo em suas costas.

- Anda, Helen! Mexe mais essa cintura aí! – pediu Carlos, aos sorrisos.
- Não força, eu não sou muito boa nisso, só gosto do som da banda! – disse Helen. De minuto a minuto ela observava em volta, chegou a cruzar com o olhar de Joel, mas não o reconheceu. Cansada, Helen deixou os amigos, pedindo para eles se cuidarem e costurou a multidão até encontrar um lugar com algum espaço para respirar e ali ficou. Joel sumiu. O procurei por todo lado e nada.

Alguns minutos se passaram e houve uma movimentação demasiada de alguns policiais, um grito abafado ao longe, e quando fui me interar do que havia acontecido, esperando um assassinato, era apenas uma briga entre jovens por causa de uma garota. Onde Joel estava? O que fazia? Voltei para perto de Helen e ela ainda se encontrava sentada, observando os amigos de longe.

- Ele deve ter ido embora daqui, afinal toda a polícia está atrás dele... – disse Helen a si mesma.
- Você está errada. – A menina enrijeceu. Aquela voz grave, só podia ser dele. Quando se virou para encarar Joel, assustou-se com a aparência diferente do homem.
- Meu Deus! O que você fez... – lembrou-se de Denis em um fleche. – Assassino! Soco...
Joel tapou a boca de Helen com agressividade, a levou para um canto, atraindo alguns olhares e disse:

- Quieta! Eu não quero te machucar. Se você me encrencar, antes de ir vou ter que, infelizmente, enterrar essa lâmina na suas costas. Vai ficar quieta? Só quero conversar... – Helen concordou, estava tremendo.
- O que você quer comigo, por que você está matando tantas pessoas, tantos homens?
- Senta aqui e se acalma, depois responderei. – Um homem, que estranhou a situação, perguntou se estava tudo bem com Helen e ela assentiu.

Joel estava diferente. Não era só a aparência, perto da jovem sua expressão não era tão ruim.

- Eu tenho minhas razões, menina. – iniciou Joel. – Esses malditos tiraram um tesouro de mim, me roubaram! Agora vão ter o mesmo destino...
- Tiraram o quê? Foi uma pessoa da sua família? Ah! A sua filha?
- Sim... a minha vida! – Pela primeira vez ele parecia sentir alguma emoção. – Você me lembra muito ela, eu já lhe disse. – Joel tocou com as costas da mão o rosto de Helen e a acariciou como um pai a uma filha. Ela estranhou a atitude, mas não teve reação alguma, apenas disse:
- E você acha que matando essa gente vai trazer ela de volta?
- Eu sei que não vai trazer ela de volta, mas eu tenho um propósito agora e é vingar a morte dela...
- Meu Deus... – Helen não sabia o que dizer, tudo que falasse para Joel seria inútil, ele entrou em um caminho sem volta, estava com uma fúria nos olhos. – E como sua filha morreu?
- Foi morta! Mas não quero falar sobre isso... Já decidi, a minha dor acaba hoje. – Aquilo surpreendeu Helen, o que ele estava planejando?
- Por que você não foi atrás do assassino então? – quis saber a garota.
- O culpado não estava lá! Ela foi encontrada sozinha, abusada e mutilada... O maldito fugiu. – Os olhos marejados e cheios de ódio estavam percorrendo cada semblante masculino nos arredores do show. – E depois que perdi a vontade de viver, alguém, um amigo, me deu o maior dos propósitos, vingar a minha menina. Não vou descansar até matar o desgraçado!
- Mas você nem sabe quem ele é. Está me dizendo que você mata esses homens na esperança de que um será o assassino de sua filha?

Joel concordou, levantou-se e terminou:

- Saia daqui, menina! E se preza tanto seus amigos, leve-os também. Hoje vai ser o fim! – Um sorriso diabólico surgiu no rosto de Joel. – Espero que depois dessa noite a minha missão esteja cumprida... o inferno espera o maldito que te levou de mim, Duda! – Helen sentia o pior de todos os medos, não conseguia se mexer. – Depois dessa noite vou caminhar por esse mundo até a morte me levar...

Joel saiu. Deixou Helen boquiaberta e com o coração batendo acelerado. Segundos depois, ela recuperou o movimento dos membros e disparou em direção aos amigos.

- Vamos embora! Agora!

Cinco minutos se passaram. Estávamos eu, Helen, Carlos e Rodrigo no mesmo ônibus, e a minha conhecida e assustada sobrinha, – Sim. Helen era e é minha querida sobrinha. – não conseguia responder aos questionamentos dos amigos... Até o acontecimento fatal.

BUMM!

Uma explosão intensa, terrível, gritos horrorizados no interior da condução e, ao longe, pela janela, era possível ver um clarão e uma fumaça cobrindo o local do show...

Eu não tinha ideia do que Joel era capaz, nunca poderia imaginar que ele chegaria a um ato desses, entretanto, apesar de trágico, foi um acontecimento histórico!

Cheguei a pensar que Joel teria se matado, mas ele ainda escreveria mais um capítulo nessa Okterror, e um capítulo incrível...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Versos Póstumos


Fui um bebê sem colo...
Um adolescente sem esperança...
Um jovem sem rumo...
Um homem sem futuro.

Vivi em um mundo difícil...
Em um país dividido...
Em um estado esquecido...
E em uma cidade sem oportunidade.

Família, não tive...
Amigos, tampouco...
Só tive um companheiro,
que latindo trouxe alegria
a este coração prisioneiro.

Andei aqui e acolá,
Sem ter pra onde ir,
Sem ter pra quem voltar.
andei, andei e andei...
chamando cada canto de meu lar.

Minha vida acabou,
Levada pela correnteza...
Acolhido aqui estou,
No meio de tanta beleza.

A vida que tive pode não ter sentido,
Mas mesmo assim, agradeço por ter vivido.

Guigo Ribeiro

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Capítulo II - Amigos de Copo


A Oktoberfest começou. Houve um belo desfile, um evento inédito – a guerra do chope – e algo que mexeu com as pessoas lá presentes, o assassinato de um jovem, Denis Azevedo, o qual foi friamente apunhalado pelas costas enquanto se divertia na guerra da cerveja. Muitos que presenciaram o ocorrido foram convidados a prestarem depoimento, mas a única pessoa que realmente pôde contribuir para esclarecer aquele triste episódio foi uma amiga do rapaz, Helen. Ela relatou sobre o estranho homem que se aproximou com uma conversa sem sentido de homens que iriam para o inferno, a filha que havia morrido, o punhal sujo de sangue e então, logo depois desse encontro, ela viu seu amigo assassinado. Helen descreveu as características que conseguiu recordar do estranho e pediu que a segurança fosse reforçada nos próximos dias de festa, ou mais pessoas, principalmente seus amigos Rodrigo e Carlos, poderiam morrer: Ele disse que me livrou de um, mas ainda faltavam dois. Ele é perigoso, ele ta louco!

O velório de Denis passou... deixando Gisa com um vazio, uma tristeza imensa, a qual só o tempo iria amenizar. Apesar dos pesares, a festa continuou. E em um ritmo bem animado, porém era possível perceber que a circulação policial aumentou. Ao que tudo indicava, as pessoas poderiam festejar sem medo de que mais tragédias acontecessem. Era o que faziam Paulão e Jorginho, este era corpulento e barbudo, e aquele era esguio e calvo. Ambos eram amigos, amigões, daqueles de verdade, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, enfim, compartilham praticamente tudo, só não compartilhavam as mulheres, porque eles não as tinham. Dois homens sem família, que moravam juntos e trabalhavam juntos em uma serralheria. O único prazer que eles tinham era o de jogar um bom baralho e beber uma boa cerveja nos bares e botecos mais frequentados. Mesmo com tantos aspetos apontando para uma possível mudança de preferência sexual, eles eram machos! Só não tinham mulher por que a beleza não encontrou o endereço deles.

Paulão e Jorginho deram um jeito no visual e seguiram em direção aos pavilhões, muito bem decorados e entupidos de gente. Estavam com pensamento positivo para aquele dia, tinham treinado algumas cantadas dos anos 90 que, somadas à disputa de chope em metro, dariam certo com certeza. Antes de chegar à Vila Germânica, os amigos vieram de ônibus, já que o carro velho, ano 95, que Paulão tinha, não conseguia andar mais do que seis quilômetros. Porém, nada era capaz de deixar esses dois amigos desanimados.

Lata de sardinha? Lotação? Pior, muito pior, um formigueiro de gente, e algumas pessoas perdem a noção de higiene, mas mesmo assim era divertido. Assim são os dias de festa em Blumenau e isso deixa os dois amigos muito contentes, porque, como são solteirões, gostam de tirar uma lasquinha das moçoilas, e nem se importam de levar alguns tapas de vez em quando.

Logo que entraram em um dos pavilhões, Jorginho ouviu, por alto, que um casal falava sobre o assassinato do rapaz do desfile, Denis, mas a mulher complementou que ao que circula por aí, mais dois homens foram encontrados mortos no banheiro de um bar no centro da cidade. Ela ainda terminou: Você tem que tomar cuidado amor...

Assim que Paulão arranjou dois copos de chope para a entrada do dia, a música típica já fluía bem, era alegria pra todo lado.

— É hoje que a gente vai se dar bem! — disse Paulão, dando um grande gole na cerveja.
— Isso mesmo, meu amigo! — apoiou Jorginho, observando o pessoal. — Hoje nada vai me impedir. Nem dentadura, nem banguela, nem bigode, nem unha encravada, nem nada! Não aguento mais essa seca...
— Cuidado com o que tu fala, home. Se não, invés de galinha, vai acabar encontrado um peru! — Entre uma gargalhada e um gole de chope, Paulão e Jorginho foram se soltando cada vez mais, distribuíam sorrisos e galanteios a torto e a direito, porém nada sortia efeito.

À medida que as horas se avançavam, a noite tomava conta, a visão perdia a nitidez, o cérebro ia para um lado e as pernas para o outro, a festa fervia ainda mais. Não tardou para que um Fritz animado anunciasse, de cima de um palco de shows, a competição do chope em metro!

Os participantes, devidamente trajados, já se posicionavam no centro do palco com as tulipas em mãos e alguma preferência da torcida já se manifestava. A disputa parecia incerta até que um dos competidores começou a babar mais do que tomar, então o primeiro campeão foi conhecido.

— Paulão, irmão, esses cara não são de nada! — desdenhou Jorginho, bebendo em seguida. — Tu inscre... tu inscrev... tu marcô o nome da gente lá?
— Ih! Num me alembrei, porcaria! — lamentou-se Paulão. — Agora num dá mais tempo...
No mesmo instante que a próxima dupla se posicionou para dar continuidade à competição, um homem se aproximou dos amigos. Pele morena, olhos negros, cabelos desgrenhados, e roupas desgastadas.
— Fala seus chopeiros! — abraçando Paulão e Jorginho como se os conhecesse, ele continuou: — Meu nome é Joel. Então vocês querem participar do chope em metro?
— Opa! Era tudo que nóis queria! Esses home aí são fraquinho, moleques! — respondeu Jorginho.
— Tu consegue arranjá um lugar pra gente lá, feioso? — disse Paulão sorrindo.
Joel deu uma tapa em Paulão e o fez derramar o chope. Os nervos esquentaram, mas Jorginho interpôs-se:

— Calma Paulão, pega o meu copo...
— É isso mesmo, desculpa aí — disse Joel. — Pra mostrar que não foi a minha intenção, eu não posso fazer nada pra colocar vocês na competição, mas posso dar uma carona pra casa, ou vão querer ir de lotação?

A oferta agradou os amigos e Paulão logo esqueceu o pequeno problema. Joel juntou-se aos dois e aproveitaram a Oktoberfest como se deve, bebendo, rindo, bebendo e caçando...

As 23 horas chegaram tão rapidamente que Joel ficou preocupado, ele estava estranho, impaciente, e quando viu Jorginho se engraçando para uma jovem menina, cerrou os punhos e afastou-se. Paulão dançava como uma cobra enlouquecida enquanto bebia e sua bexiga não demorou a protestar. Ele foi obrigado a procurar um banheiro o quanto antes. Pra esquerda, para direita, seguiu à fila mais próxima, mas estava apertado demais e resolveu encarar a multidão até sair do local. Joel o acompanhava de perto e, um pouco atrás, Jorginho também saía do pavilhão.

Um dos grandes problemas de um evento como a Oktoberfest é que a noção de higiene se perde para muitas pessoas, principalmente os homens que, na falta de banheiro ou mesmo paciência, fazem suas necessidades em qualquer lugar, em qualquer parede... Foi o que Paulão e Jorginho fizeram, procuraram a parede mais próxima, no lado de fora, um pouco afastada do pavilhão, e começaram a aliviar a pressão. Enquanto os amigos riam e contavam suas tentativas de arranjar uma companheira para o final da noite, Joel, enojado, observava de longe. Com uma expressão diabólica, ele levantou a camiseta, certificando-se de que algo estava lá, e se aproximou devagar.

— Os dois bebuns estão se divertindo? — Joel encostou-se na parede e sua voz mudou para um sinistro grave.
— Opa! Só falta uma gatinha pra brincar... — respondeu Jorginho aos sorrisos. Aquilo parecia incomodar Joel.
— Vocês não têm vergonha de viver essa vida bebendo como dois vagabundos? Mijando nas paredes... Me diz, pra quê viver?
— Beber é a melhó coisa do mundo! — exaltou Paulão — Para de falar besteira, seu E.T! — Os dois amigos riram e Jorginho deixou as calças escaparem.

Joel deu a volta nos dois amigos e, levantando sua camiseta, retirou um objeto puntiforme, com lâminas prateadas que possuía um punho detalhado em bronze, e parecia determinado a cometer uma loucura. Com o punhal na mão, escondido às costas, e uma expressão inerte no rosto, Joel esperou os dois terminarem de urinar e disse:

— Eu fico pensando que dois caras como vocês, solteiros, bebendo demais, devem se aproveitar de meninas inocentes como aquela que você — apontou para Jorginho — estava assediando. Mas isso vai acabar, hoje vocês vão pro inferno...
— Olha só pra isso, irmão! — gargalhou Paulão. — O cara tem uma faca na mão... tu quer mata nóis é? Mas assim? Sem um último pedido?
— É E.T, antes da gente... for pro inferno, um chopinho ia bem! — completou Jorginho, os dois estavam levando a situação na brincadeira, parece que a embriaguez tornava aquilo um sonho, uma visão, algo surreal, haviam ultrapassado os limites da realidade...

Joel não estava brincando, tampouco fora de si ou bêbado, ele tinha uma meta, o crime. Ele já fez isso algumas vezes, começando com Denis, o jovem do desfile. O que esse homem pretende com essa atitude, esses assassinatos? Por que está matando tantas pessoas, homens principalmente? Será por prazer, vingança, protesto, interesse? São respostas que Helen, a amiga de Denis, os policiais que rondavam pelo perímetro do evento e dezenas de pessoas preocupadas com as recentes mortes na Oktoberfest precisavam.

O nome do assassino foi revelado. Ele apresentou-se como Joel e sua aparência não mudou, nem sua sede de sangue, de apunhalar homens escolhidos por aspectos pessoais, os quais ainda não se tinha conhecimento. Paulão e Jorginho olhavam para Joel e gargalhavam exageradamente, achando graça em alguma coisa, uma coisa que só eles sabiam, pois o punhal estava em posição, pronto para rasgar os dois amigos.

— Espero que tenham aproveitado a festa de hoje. É a última. Vocês não verão o sol amanhã.
— Parece filme de terror! Aí que medo Paulão! — divertia-se Jorginho se aproximando de Joel — Quem é você? Freda Cruga?

Foram as últimas palavras de Jorginho, o punhal do assassino penetrou sua barriga tão rápido que o grito de dor foi abafado, e o corpanzil desabou, produzindo um baque alto. Paulão interrompeu o riso e, ao ver o seu irmão de coração caído, sangrando muito, liberou gritos chorosos:

— Não! Jorge! Jorge! Maldito! — Com dificuldade, Paulão saltou para cima de Joel. A luta não demorou muito, a embriaguez foi sua pior inimiga. Depois de alguns segundos de troca de força com o punhal sobre o pescoço de Paulão, ele viu o céu estrelado sumir instantaneamente e ouviu um grito estridente...

Paulão também foi assassinado, ao lado de seu amigo Jorginho. Ambos tirados desse mundo por uma alma negra, fria e diabólica. Descansem em paz...

Uma mulher viu a última apunhalada de Joel e havia gritado com todas as forças, horrorizada. A atitude atraiu muitas pessoas que correram para o local, onde os corpos jaziam imóveis. Joel correu, correu muito, e sumiu no breu de uma mata próxima.

Até quando isso vai durar? Será que a Oktoberfest vai continuar? Tudo é incerto. Teremos que esperar pelo amanhecer...

sábado, 10 de outubro de 2009

Palavras


As palavras não são de ninguém,
Elas pertencem ao mundo.

Elas são usadas a todo momento,
Sem contrato profissional,
Sem contrato de casamento.

São combinadas assim e assado,
Colocadas em cima, embaixo, ao lado...
Sem qualquer restrição,
Sem qualquer preconceito,
Pois o que interessa é o seu efeito.

A criança usa,
A mulher usa,
O homem abusa,
Cria barreiras, limites,
Monopoliza...

As palavras são de todos,
O que lhe pertence é o sentido,
Que nelas é atribuído.

Guigo Ribeiro

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Capítulo I - O estranho


É mês de festa em Blumenau, a cidade da Oktoberfest! Festa do chope, tradição tão valorizada pelos blumenauenses, que deixam a rotina de lado para encontrarem alegria, diversão e muita cerveja. Pessoas trabalhadoras e batalhadoras, que mesmo diante de infortúnios como enchentes e deslizamentos, não deixam de querer viver, de lutar pela vida.

Um grupo de amigos formava uma corrente de risos, saltos e copos enquanto curtiam a estreia da vigésima sexta edição da maior festa alemã das Américas. Como sempre, a festa começou com o pé direito, apresentando um desfile cheio de cultura típica, carros artísticos e carros de cerveja gratuita, músicas animadas e as pessoas que participavam com sua contagiante alegria, vestidas ou não com trajes tradicionais alemães. Uma grande festa!

O grupo de amigos era formado por três rapazes, Rodrigo, Carlos e Denis, e duas lindas moças, Gisa e Helen, todos emancipados e já bem desinibidos com grandes copos de chope nas mãos, enquanto dançavam à moda alemã de um jeito bem brasileiro, chegava ao ridículo às vezes. Helen era a única que sabia se controlar, mas desejava ter um pouco da loucura dos amigos, pois sempre sobrava para ela a preocupação e o trabalho de babá. Sempre procurava adotar uma postura correta para agradar, porém isso a impedia de se divertir e aproveitar os bons momentos que tinha ao lado de seus melhores amigos. Já Gisa, namorada de Denis, era uma garota liberal, sem pudores e que não perdia um bom festejo. Denis sabe se divertir, mas não pode evitar o ciúme que sente da personalidade sensual-descontraída de sua namorada. Por outro lado, Rodrigo e Carlos são a dupla dinâmica da palhaçada e da curtição. Nada é capaz de abalar o ânimo desses dois, são como o gordo e o magro dos tempos contemporâneos.

À medida que o desfile tomava conta da principal rua comercial da cidade, o quinteto seguia a multidão, parando somente para recarregar os copos nos Bierwagen (carros de cerveja). Mais à frente, cerca de duzentos metros, um campo de batalha estava posto, dezenas de jovens e alguns adultos embriagados iriam dar início a uma guerra, mas não era uma guerra entre gangues, ou uma guerra épica com espadas e escudos, tampouco um confronto com rifles, fuzis ou metralhadoras, e sim uma guerra diferente. Estava prestes a começar a primeira guerra municipal do chope!

De cada lado da rua, dois contingentes se formavam, munidos de armas carregadas de chope – garrafas de dois litros, balões, baldes e armas d’água cheias de cerveja. Risos e gritos de guerra de ambos os lados. Rodrigo e Carlos se dispersaram dos amigos e correram para o grande acontecimento.

- Era só o que faltava, – disse Helen – o que tá acontecendo aqui?
- Não acredito! – Denis estava surpreso. – Eu pensei que era só conversa. Vocês se lembram que eu tinha falado sobre a comunidade Guerra do Chope? Tinha uma galera participando dela. Eles vinham preparando esse confronto há um tempão, desde o começo de fevereiro! Nossa! Não pensei que eles fossem levar a sério o negócio... Ah, eu vou ter que participar. Será que eu vou sobreviver nessa guerra? Vamos lá!

Denis, animado, correu desengonçadamente para se juntar ao povo do lado direito. Rodrigo e Carlos, que estavam do lado oposto, já receberam seu armamento de batalha.

- Isso vai entrar pra história! – animou-se Gisa. – Vamos Helen, você não vai querer ficar de fora dessa, vai?
- É claro que eu vou! Vai ser uma nojeira... quero só ver como isso vai acabar.
- Deixa de ser chata amiga! É só chope! Vamos!

Enquanto Gisa tentava levar Helen para a guerra, todos estavam em posição, murmúrios se intensificaram, como se estivessem combinando estratégias de combate, logo a gritaria recomeçou e, no momento seguinte, no vácuo de dez metros, uma mulher morena, em trajes curtíssimos, andou até o centro da rua e parou. Assim em que Gisa arrastou Helen para o meio da rua a contragosto, a mulher levantou os braços e bradou:

- Atacar!

As massas correram ao encontro, armas a postos e em segundos se misturaram. Jatos de chope voavam por todos os lados, baldes virados, pessoas encharcadas, gargalhadas e gritos se intensificaram e a guerra começou. A movimentação atraiu a atenção de dezenas de pessoas que se aproximaram para contemplar aquela divertida loucura.

Gisa e Helen foram atingidas totalmente por uma onda branco-amarelada que veio de uma garrafa chacoalhada por Rodrigo. O robusto amigo ainda completou aos berros:

- Morreu! Morreu!

Enquanto o alvoroço prosseguia, o crepúsculo já se anunciava, dando ao céu cores mescladas em laranja-púrpura. Alguns já caíam estufados de tanto beber, outros perseguiam o público que assistia e a guerra estava próxima do fim...

Helen, enraivecida por estar fedendo à cerveja, encostou-se em uma vitrine e se pôs a torcer a barra da camiseta. Um estranho se aproximou.

- Loucura não é? – disse o homem moreno, olhos negros, cabelos desgrenhados e roupas desgastadas.
- Totalmente! – respondeu Helen, sem olhar para o estranho. – Espero que isso não vire moda. Que nojo...
- Você tem razão. Mas até que é divertido, não acha?
- Nem um pouco, eu preferia tá em casa. Só de pensar que eu me produzi toda pra tomar um banho de cerveja, não poder ver o desfile todo e, além de tudo, ter que me incomodar cuidando daqueles dois ali – apontou para Rodrigo e Carlos que se encontraram e dançavam juntos a melodia do “vai e vem”.

Helen olhou para o estranho e afastou-se discretamente. Ignorando a atitude dela, o homem disse:

- Você lembra muito a minha filha... ela ia fazer quinze anos nesse mês, se tivesse viva...

Ele falava de um jeito neutro, sem demonstrar emoção alguma.

- Sinto muito.
- Não sinta. Eu demorei muito pra entender o que eu preciso fazer, mas agora eu tenho um caminho pra seguir. Tome cuidado com os homens dessa cidade, eles são capazes de coisas terríveis. Todos irão pro inferno... Inclusive eu. – Ele se aproximou da garota, que olhava boquiaberta. – Os seus amigos também, tome cuidado com eles, hoje eu te livrei de um – o homem revelou um punhal manchado de sangue e continuou: – mas ainda faltam dois.

- Você tá louco? Eu tenho que ir, meus amigos tão me esperando. – E andou alguns metros, a passos largos, sem ter coragem de olhar para trás. Helen achou estranha aquela situação. Por que aquele estranho veio falar com ela? E que conversa louca foi aquela de todos os homens irem para o inferno? O pior foi o punhal, será que ele realmente matou alguém? Procurou pelos seus amigos. Rodrigo e Carlos estavam no mesmo lugar.
- Vamos embora meninos, não estou bem, precisamos encontrar o Denis e a Gisa.
- Cara, eu bebi demais... vamos sim. – concordou Carlos, saltando sobre as costas de Rodrigo, que cambaleou alguns centímetros.
- Se você não fosse essa vareta eu não te carregava – confessou Rodrigo, antes de seguirem Helen. – Espera garota, eles tão bem!

Helen observou cada lugar nos arredores e não havia sinal do casal, só um aglomerado de pessoas mais à frente. Será que aconteceu alguma coisa? Meu Deus! Pensou. O coração batia acelerado, temendo o pior, principalmente agora que ouviu aquilo do estranho homem, e de ter visto o punhal sujo de sangue. Abrindo caminho entre as pessoas, Helen chegou ao centro e estaqueou.

- Denis! Acorda, acorda, amor! – Gisa estava ajoelhada, aos prantos, enquanto tentava reanimar o corpo de Denis, que sangrava muito. – Chamem uma ambulância!
- Já chamamos – respondeu uma moça na multidão. – E a polícia também.

Aquilo não poderia estar acontecendo, Helen não acreditava no que via. Denis estava morto, com um sulco profundo nas costas, o que trouxe a imagem do punhal sujo de sangue daquele homem. Assassino!

A Oktoberfest daquele ano não seria a mesma... pelo menos não para o grupo de amigos que há poucas horas transbordava de alegria e animação, mas naquele momento estava completamente arrasado pela morte de um grande amigo.

Em cinco minutos a ambulância chegou, e rapidamente levou Denis para longe, não tão longe quanto a alma dele alcançaria...

Helen queria respostas. Procurou avidamente pelo estranho, ignorando o medo e a dor, mas não encontrou qualquer vestígio do assassino.

Quem era ele? Por que cometeu esse crime? O que Denis fez pra ele? E será que Rodrigo e Carlos seriam os próximos? Afinal ele havia dito que a livrara de um, mas tinha que ter cuidado com os outros dois. Sejam quais forem as respostas para todas as questões, Helen precisava encontrar, ou veria mais amigos morrerem. Gisa! Preciso ficar com ela.

O dia começou com uma grande festa, porém terminou com uma triste tragédia...

FOLHETIM VIRTUAL


Olá! Continuando as minhas práticas, resolvi escrever uma história em cinco capítulos. Será um desafio que pretendo conquistar. Espero ter o apoio dos leitores ^^.

Bom, essa será uma história de mistério. Seu título será revelado quando assim a narrativa permitir. Por enquanto, a chamaremos de Folhetim Virtual.

Espero que gostem, boa leitura!

Guigo Ribeiro

sábado, 3 de outubro de 2009

RIO 2016!


Parabéns Rio de Janeiro! Parabéns Brasil!

E o sonho torna-se realidade. Nosso país, merecidamente e finalmente, vai sediar as Olimpíadas de 2016! Que possamos, nesses seis anos que se seguirão, preparar tudo para tornar esse acontecimento memorável! (vai ser, acredito.) Que venha Rio2016!

obs.: estava assistindo ao noticiário da noite e, nas reportagens sobre o anúncio do resultado, foi mostrado a recepção da derrota por nossa rival Madrid - que ficou sentida, é claro - E lá no meio da multidão, havia uma brasileira que não se importou com o povo ao seu redor e comemorou euforicamente, pulando e gritando "Rio! Rio!". Eita coração brasileiro, fiel até em território "rival".

Vamos em frente! Há muito o que fazer...
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Neste país tropical,
Nesta terra de guerreiros,
Neste campo de batalha,
vive a perseverança.