terça-feira, 24 de novembro de 2009

Capítulo V - O Ponto Final


Matar... tirar a vida de alguém é mergulhar na derradeira escuridão de uma vida amaldiçoada. A primeira sensação pode ser boa, uma satisfação momentânea, mas o momento seguinte é o inferno na terra. Calafrios persistentes, vultos frequentes, sensação de perseguição, vozes que rasgam seus tímpanos a gritar: assassino! Assassino! Era insuportável...

Passei três anos me escondendo, sofrendo, e vivendo como Joel viveu muitos dias de sua vida, solitário e perturbado. Eu não aguentava mais, estava ficando louco, cheguei a conversar com a morte refletida no espelho, certa vez; ela me mostrava imagens da morte que eu sofreria em um futuro não tão distante. Vi-me cercado por dez homens que deformavam meu rosto e meu corpo com pancadas desumanas... Quebrei o espelho com os punhos, apanhei uma caneta e um caderno pequeno e segui, sem rumo, pelas ruas de uma cidadezinha do oeste catarinense. Minutos se passavam e à medida que eu caminhava meus pensamentos se organizavam e pediam para que a história fosse contada, fosse escrita, era a última oportunidade para isso.

Parei em uma praça pouco movimentada e, sentado em um banco de concreto, sob a sombra de uma árvore ligeiramente inclinada, comecei a relatar esta história que lhe contei. Estou a várias horas escrevendo, incansavelmente. Antes de meu desfecho, precisava deixar a minha obra registrada em algum lugar, aquilo tudo não poderia ser em vão. Eu sei o que me espera, já vi. Sei que estou sendo procurado pela polícia, afinal eu segurei aquele punhal e o usei por último, sem nenhuma luva. Minhas digitais estavam lá e por anos estou sendo procurado, eles conhecem o meu rosto, a minha identidade...

Por todos os lugares que passei, todos me apontavam e por vezes quase fui levado, mas conseguia escapar do inevitável. Hoje de manhã eu decidi me entregar, porém não sem antes tornar imortal a minha obra prima! Não sei se ela chegará a ser publicada, mas a escrever, finalizá-la, já foi uma grande vitória.

Ah! Caro leitor ou leitora, minhas desculpas por ter de terminar esse capítulo tão rapidamente, mas a minha carona está chegando, ouço sirenes, alguém deve ter me reconhecido e chamado os servidores da segurança pública. Veja bem... Eu serei preso, não sei se viverei muito tempo lá na cadeia, mas eu morrerei satisfeito, com a sensação de dever cumprido, sabe por quê? Serei o escritor de uma história real, original e sensacional! (risos) Cuide-se para não virar história na mão de alguém...

Aí vem eles, são quatro, é o fim, estão gritando:

Mãos ao alto!

Se não nos virmos no inferno, meus parabéns.

Um comentário:

kátiablu disse...

Parabéns!!
Impactante!!!